Os desafios da estreia

Por: Marcela Cartolano e Wenandra Sommer

      Em sequência de toda a sua história, o PampaStock, em 2010, no seu primeiro festival de bandas independentes, trouxe a São Borja uma ampliação do que estava sendo discutido e promovido em sala de aula. Foi na cadeira de Sociologia do Rock, ministrada pelos professores Sávio e Beras, com a ideia de realizar um evento que estimulasse o rock na fronteira oeste, onde o cenário do rock n’ roll não tinha muita visibilidade e oportunidades. Lucas Corrêa, acadêmico de Relações Públicas da Unipampa afirma: “Para a época, ter um evento assim era uma coisa muito desejada por todo mundo, pois a cultura do rock em São Borja estava em decadência e as pessoas sem expectativas porque não tinha divulgação suficiente.”

                                    1pampastock. credito do Pampastock

     

       A diversidade cultural brasileira facilitou para o surgimento de um evento em que muitos puderam e ainda poderão mostrar o seu talento através de shows. No âmbito acadêmico, os 10 campi da Unipampa, situados em cidades de fronteira ou cerca delas nos remetem ao questionamento que estimula ao significado do projeto: Por que não desenvolver também musicalmente a região? Para Thaysa Flores, bolsista do projeto Sociologia do Rock durante dois anos “O movimento rock na cidade já existia quando cheguei”, que destacou também os desafios para o evento dar certo: “Uma das maiores qualidades e um dos grandes defeitos era a falta de verba inicial. Era muito difícil o festival se manter porque as grandes bandas, que vinham como atrações principais, cobravam cachê. Foi então que surgiu a oportunidade de fechar uma parceria com a Secretaria da Cultura de Porto Alegre na época”. Assim, há cinco atrás, cerca de mil pessoas, 52 bandas, 22 parceiros culturais compareceram ao primeiro Pampa Stock, que arrecadou cerca de 1880kg de alimentos tidos como ingresso para o festival.

     “Vejo novos ventos que chegam no pampa, soprando liberdade e rebeldia. Pra quem precisa de um lugar, o PampaStock é o lugar”. Esse foi o single cantado por Marina Marques, que participava da organização do evento, como convite para o público comparecer nas noites de festa e ele esteve lá. “O objetivo deles era erguer a cena no interior do estado, foi bem legal para movimentar a cidade e deu bastante gente” relata o fã de rock n’ roll, Celso Pinto Jr, que acompanha o festival desde da sua primeira realização e garantiu presença na edição deste ano.

       Bandas de todo o Rio Grande do Sul tiveram a oportunidade de participar e mostrar para os apreciadores do rock o seu trabalho, ganhando inclusive mais divulgação e interação com o público. O vocalista Roberto Goi da banda Soldas em Geral, de São Borja, que participou da primeira edição afirma: “Pessoas da Unipampa ficaram conhecendo nosso trabalho e é bom tocar em um evento desses, é bacana, gostei muito. Tem que se divertir.” O retorno e a diversão foram apreciados pelo público que poderá vê-los nesta edição novamente.

                         foto roberto goi da banda soldas em geral. créditos de Eloise Schmitz

       Além da diversão, o formato da primeira e da segunda edição do projeto era realizado em competição. As bandas Monotape de São Borja, Desvio Padrão de Taquara, Empíricos de Porto Alegre, Sangue da Pedra e Sonnets de Santa Maria, Juliette Rose de Carazinho, Os Vespas de Cachoeirinha e Reino Elétron de Passo Fundo, competiram e apresentaram-se em duas noites no Clube Recreativo São Borjense, juntamente com a atração principal, a banda Os Replicantes e Acústicos & Valvulados. A grande e primeira banda vencedora que PampaStock premiou foi Reino Elétron. Confira abaixo a exclusiva com o vocalista Elias Duarte:

Como surgiu o convite para participar do festival?  

“O nosso baixista ficou sabendo do festival pela internet, através da matéria da Sociologia do Rock. A Elétron só tinha um ano e mandamos três músicas, e foi bem legal porque as bandas finalistas todas tinham CD na época, menos nós.  Foi uma surpresa!”

Como foi participar do primeiro PampaStock?

“Se define em três coisas: Surpresa: foi algo surpreendente, pois até o momento não estava acreditando. Emoção: sentir aquela energia da galera que estava ali, porque tocamos só músicas nossas e o pessoal curtiu. Motivação: o PampaStock motivou a Reino Elétron, de certa forma a banda existe até hoje por questão do PampaStock, porque a banda tinha um ano e não tinha expectativa de almejar coisas.”

Você lembra qual música vocês tocaram?

“Lembro de duas, inclusive elas estão no primeiro disco da Reino que será lançado dia 15 de julho, através do Selo 180. As músicas eram “Futuro” e “Lembranças na Realeza” (que têm duas versões, a qual foi tocada no PampaStock e a qual será lançada) é uma música crítica, remete a questão do jeitinho brasileiro.”

Vocês gostariam de tocar novamente no PampaStock?

“Com certeza! O pessoal em outras vezes sempre pedia ‘e o CD?! Eu quero comprar o CD!’, acho que é uma dívida que a gente tem com o festival de ter, é um negócio que faz parte do festival, e em julho, com o CD pronto, nós gostaríamos muito de participar novamente.”

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(Foto: divulgação Banda Reino Elétron)

Acompanhe no vídeo o depoimento das experiências da galera que participou e contribuiu para a realização das primeiras edições do PampaStock:

A espera está acabando! A 5º edição do maior festival de rock independente da Fronteira Oeste vem aí. Não perca o PampaStock 2015.