Transgredindo as notas musicais da rebeldia

Por: Jean Azambuja, Sara Moraes e Tanise Arruda

 

E de repente tudo ficou mais rápido. A web trouxe novas formas de se conectar com o mundo, tudo está ao alcance de um click: culturas distintas estão mais próximas, as redes sociais como o facebook, transformaram as relações pessoais, é possível interagir com pessoas de todos os tipos e de todas as partes do mundo de modo instantâneo. No entanto, esse novo contexto também acarretou na individualização exacerbada, o rock dentro dessa perspectiva, da mesma maneira, sofreu mudanças, desde a década de 90 o estilo musical assumiu um caráter mais existencial, colocando o “eu” no centro da questão. O livro Sociologia do Rock traz a visão teórica e reflexiva do papel do rock na sociedade. Confira a seguir a trajetória da construção da obra que será lançada nesta quinta-feira, 09 de julho, às 18h no hall da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), junto à programação do PampaStock.

FOTO 1

 

Com a consolidação da disciplina Sociologia do Rock, percebeu-se a necessidade de uma bibliografia que abordasse o assunto, pois como a cadeira era pioneira no Brasil e no Mundo, assim não havia textos-base que servissem como referência. Em paralelo a esta ocasião, o PampaStock incluiu em sua programação um ciclo de palestras que abordava o rock a partir da sua influência social. Com base nos textos produzidos para essas palestras e para o Grupo de Pesquisa Texto (GP T3xto), em conjunto com a necessidade de uma bibliografia para a disciplina de Sociologia do Rock, surgiu a ideia da confecção de um livro. A composição da obra obedeceu a três diretrizes: o rock como matéria, objeto de reflexão e estudo; trabalhado de uma maneira interdisciplinar e; para além da sua cena histórica, como elemento transgressor. Gabriel Feil, professor da Unipampa, organizador e autor de um dos textos que compõem o exemplar, explica que a estruturação do livro se deu de uma forma diferente da tradicional pois, embora seja divido por capítulos, cada texto é independente, podendo ser lido isoladamente sem que se perca a ideia de unidade.

No áudio a seguir Cesar Beras, professor da Unipampa, organizador e autor do livro, complementa falando sobre os autores e as temáticas discutidas na obra:

 

 

Em uma conjuntura de transformações sociais, em que o indivíduo passa a ser centro das discussões, o rock ainda mantém sua essência de crítica à sociedade, ainda que de maneiras diferentes, ele atua como interventor sociocultural. Músicas que fizeram sucesso em outra época fazem parte das vivências dos dias atuais. A importância de um livro que aborde este gênero musical se dá nesse sentido, os estudos a cerca do mesmo podem trazer novas concepções e pontos de vista sobre o mundo em que vivemos. Beras explica: “O rock hoje está centrado, desde a década de 90 no existencialismo. Ele desloca o seu eixo da crítica à sociedade e vem para o ‘eu’, mas um ‘eu’ ainda com uma perspectiva critica.”

O rock foi um divisor de águas em muitos momentos históricos e, ainda hoje é marginalizado por vários setores da sociedade, mas tem se adaptado bem ao novo cenário musical. Produzir estudos deste cunho transgride as notas musicais da rebeldia e evidencia sua importância na formação do indivíduo como cidadão. Beras quando fala sobre o livro Sociologia do Rock esclarece: “Esses textos são o primeiro aporte teórico que nós temos que refletem o rock como uma relação social, que refletem o rock com uma possível atitude de liberdade, de rebeldia, de incongruência com os valores que estão no mundo”

Assista ao vídeo com os organizadores e autores do livro: